A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NA VIDA ESCOLAR DOS ALUNOS DOS ANOS INICIAIS, SEGUNDO PROFESSORES DA ESCOLA NILO PROCÓPIO PEÇANHA DO MUNICÍPIO DE ALTA FLORESTA MT

MOREIRA, Andreia da Silva[1]

JESUS,  Marcelino[2]

DARIENSO, Sibila Jessye[3]

 

 

 

RESUMO

O presente estudo tem como objetivo geral verificar a importância da participação familiar no cotidiano escolar para que se possa obter um melhor desempenho de ensino aprendizado e, como objetivos específicos, analisar a importância da família na educação dos filhos, verificar como a família e professores podem contribuir na aprendizagem dos educandos, constatar se o rendimento escolar dos alunos cuja família não é participativa na escola é baixo e levantar o porquê de os pais não incentivarem estudos na escola. Para a realização desse trabalho, foi utilizada a técnica de observação direta extensiva, que é a técnica de questionários, para saber a opinião de 08 professores dos anos iniciais (1º ao 5º) da escola Nilo Procópio Peçanha. O questionário contém 15 perguntas, abertas e fechadas, posteriormente tabuladas e apresentadas em gráficos. Nos resultados dessa pesquisa, foi constatado que os pais estão se ausentando do ambiente escolar, pois são poucos os que vão a eventos que a escola proporciona e os professores concordam que esta não participação está afetando o desempenho escolar dos alunos, que precisam do auxílio da família no processo de educar e não o tem.   

 

Palavras - chaves: Pais – Instituição Escolar – Ensino

1 INTRODUÇÃO

          A participação da família consanguínea e da família constituída na vida escolar dos alunos, principalmente nos anos iniciais, base de uma educação futura, é de sumária importância para que se possa obter uma melhor atuação no processo de ensino aprendizado. Dessa forma, é importante que a família sempre esteja em interação com a escola, pois esta, sozinha, não consegue assumir a função de educar e ensinar. Os responsáveis devem participar de reuniões escolares, incentivar a leitura, auxiliar nos deveres de casa, reservar um tempo para estudo, dialogar com seus filhos, esclarecer dúvidas e conhecer os professores dos mesmos.

A função do professor de transmitir informações e conhecimentos educativos não só depende da forma como é transmitido metodologicamente e didaticamente, mas também da forma como os pais se envolvem e participam na ação educativa dos filhos. Para que o trabalho do professor no processo educativo tenha bons resultados, é necessária uma ação conjunta com os pais, sempre vigilante no desenvolvimento do aluno, através de correções de tarefas diárias, atento ao bom comportamento do aluno dentro da sala de aula e aproximação da família do aluno. Para o professor, é necessário ter a consciência de que não se deve fazer intervenção nos assuntos da família do aluno, mas conhecer o ambiente de onde ele vem e observar seu comportamento nas relações sociais. Professores e famílias têm suas responsabilidades no processo de educar e não se devem transferi-las para os outros.

Acredita – se que, seguindo os passos descritos acima, possa se obter resultados satisfatórios mediante o rendimento escolar dos alunos cuja família é participativa. 

 

2 EMBASAMENTO TEÓRICO

Nos dias atuais, a ausência da família, seja ela consanguínea ou constituída, na escola é tão grande que órgãos educacionais estão se preocupando em realizar palestras com enfoque na família, a fim de trazê-la para a escola, pois estão sentindo que a falta dela está acarretando o mau desempenho escolar dos alunos e aumentando, assim, o fracasso escolar.

De acordo com López (2009, p.20), são os pais os principais responsáveis pela educação dos seus filhos e tal responsabilidade não se pode passar para outrem. Para o autor, na educação deve-se ter autoridade na hora de educar, devendo os pais ser firmes na hora de impor suas vontades, visto que os filhos, desde cedo, conhecem os limites dos adultos e tentam manipulá-los para manter suas vontades; é preciso, também, dizer não em alguns momentos, mas sem deixar de respeitar a personalidade dos filhos. López (2009) diz que:

É preciso incutir nas crianças pequenas, ainda desprovidas de raciocínio lógico e de participação responsável no estabelecimento de normas, hábitos de conduta, como vestir-se, dormir, comer, cuidar da higiene, deslocar-se etc, com afeto mas também com firmeza em sua aplicação. (LÓPEZ 2009 p,17)

Para Rossini (2008, p.19), na hora de educar é preciso impor limites às crianças, dizendo não em alguns momentos, uma vez que, ao se dizer sempre sim, à criança cresce pensando que pode fazer tudo e acaba se tornando pessoa que encontra dificuldades de encarar a realidade e as frustrações, tornando-se assim, no futuro, uma pessoa com dificuldade de guiar sua própria vida. Fala, ainda, que a criança está a todo o momento observando os pais, responsáveis, professores, enfim, todos os adultos, então é importante que, sabendo disso, os adultos, na hora de agir, lembrem que eles são o espelho para as crianças.

Ainda se tratando da educação familiar, Zagury (2003, p.36) fala sobre a noção de valores e, segundo a autora, cada pai e mãe devem ir mostrando aos filhos o que pode ou não fazer numa sociedade, já que essa função é de responsabilidade dos familiares e esta responsabilidade não se pode delegar aos outros. A escola é um estabelecimento que muito irá contribuir com os familiares no sentido de educar, mas nunca poderá substituí - los.

 Segundo Cunha (2010, p.449), qualquer que seja a posição social dos pais, eles não querem que a escola apenas ensine seus filhos, mas sim que eduque transmitindo valores morais, padrões de comportamento e princípios éticos.

  A mudança da família tradicional em que, antes a responsabilidade de cuidar dos filhos ficava a cargo das mães, e o sustento da casa sendo responsabilidade dos pais, hoje pai e mãe trabalham para adquirirem um poder aquisitivo melhor, e ficando seus filhos sem ninguém para cuidar, esta família moderna escolhe por contratar babá ou por seus filhos na creche e pré-escola e, sobrecarregados com o horário de trabalho, não dá a devida atenção aos seus filhos.

Conforme López (2009, p.25), a responsabilidade da família na educação não pode desaparecer, porque a escola não fica todo o tempo com o aluno, então é necessário que os familiares busquem um tempo diário para dar a devida atenção aos seus filhos, sendo que as crianças têm a necessidade de contar o que realizam na escola, as amizades que fazem e as inquietudes que tiveram.

Sampaio (2011, p.70) diz que essa atenção dos pais para com seus filhos também é importante; para a autora, é de grande importância que os pais instiguem o pensamento do filho, escutando suas indagações, ajudando-os a pensar com autonomia, ouvindo seus questionamentos, respeitando suas escolhas e fazendo com que sejam responsáveis por elas.         

Para a autora, este estímulo ao pensamento não acontece em algumas famílias, evitando assim que a criança possa questionar, refletir e fazer suas escolhas, isto pode contribuir negativamente na aprendizagem da criança, seja na realização de pesquisa,  texto ou interpretação do mesmo, e também mostrando insegurança nas brincadeiras e atividades em grupos, evitando assim a socialização.

Já a autora Zagury (2003, p.40) tem o entendimento da importância do ser humano se sentir amado. Segundo ela :

“O ser humano, por natureza, tem o desejo de sentir – se amado, aprovado, e elogiado. Portanto, temos de aproveitar esse aspecto em prol da boa formação de nossas crianças. Quando o elogio vem da mamãe ou do papai então ... ai mesmo é que elas dão o maior valor!” (ZAGURY, 2003, p.40).

Dentre esses e outros motivos, a união das famílias, consanguínea e constituída, e escola é de fundamental importância na aprendizagem, uma vez que alguns alunos apresentam dificuldade e o professor, tendo muitos alunos em sala, não consegue fazer com que todos os alunos fiquem no mesmo nível de aprendizagem. Desse modo, família na escola, uma complementando a outra, é de fundamental importância. Para López (2009):

O contato entre a família e a escola é necessário em qualquer idade, durante os primeiros anos ele terá de ser bem mais intenso para coordenar as atividades educativas que permitam a rápida aquisição dos hábitos propostos. Serão identificados possíveis ciúmes, atrasos de maturidade e dificuldades sensoriais (visão, audição...) que muitas vezes a escola consegue detectar com maior clareza que a família, o que pode exigir atuações imediatas para evitar seu agravamento. (LÓPEZ 2009, p.27).

Para López (2009, p.77), as famílias devem contribuir com a escola, devendo mostrar-se interessadas pelos deveres que seus filhos fazem na escola, conversar com professores para ter informação constante sobre o processo educativo concretizado na instituição escolar, dar a cooperação que lhes for estabelecida por parte dos educadores para tornar mais eficaz a ação escolar e, também, respeitar os conhecimentos e as habilidades que a instituição proporciona.

Para o autor, os professores, ao fazerem o planejamento das aulas, devem incluir e considerar a participação dos pais nestas atividades uma vez que o aluno, ao sair da escola, é responsabilidade dos pais auxiliar seus filhos nestes deveres para que a aprendizagem se concretize.

Conforme Rossini (2008, p.41), independente da família que a criança tem, seja ela nuclear ou monoparental, os responsáveis pela criança, quase sempre desprovida de amor, afeto e segurança, deve assumir sua responsabilidade de educar e também contribuir com a escola, uma vez que, independente do estado civil dos pais, os mesmos tem a obrigação de ser pai e mãe e ajudar nossas crianças em suas necessidades e ficar atento nas fases que ocorrem na vida dos filhos primeira infância, adolescência entre outras.

Para Rossini (2008, p. 42), “é fundamental que nossos filhos possam contar conosco, com nossa disponibilidade para conversar, mostrar os caminhos com segurança, firmeza e equilíbrio”. Sabendo que, como já foi dito acima, as famílias estão delegando a educação dos filhos a escola estando assim os professores envolvidos, estes assumem um papel importantíssimo na vida destas crianças.

Para López (2009, p. 171 e 172), sabendo que o aluno fica na escola um longo período, o professor deve ter responsabilidades imprescindíveis. As atividades docentes precisam ser congregadas em quatro grandes categorias: as estritamente didáticas, as de orientação, as vinculadas ao contexto social e as ligadas à formação permanente. No planejamento das atividades estritamente didáticas, o professor deve atender as necessidades dos educandos e da instituição escolar, deve prender a atenção dos estudantes, transmitir-lhes informações, avaliar o aprendizado adquirido, estabelecer as atividades de aplicação pessoal e de grupo, entre outras.

O docente, ao orientar o aluno na sua vida pessoal e escolar, deve respeitar sua cultura. Sendo assim, os pais devem ser informados sobre a situação do filho e também o professor deverá pedir sua contribuição para uma melhor educação escolar.

O educador também adquire um compromisso social com sua profissão, já que, na maioria das vezes, tem uma dedicação complementar ao horário tradicional de trabalho, e suas implicações transcendem a atuação sobre os educandos da sala, tendo implicações sociais.

Na categoria de formação permanente, a educação, como as demais carreiras, solicita uma atualização constante para que se possa trabalhar seguindo os progressos científicos favoráveis ao ensino, tanto nos conhecimentos que serão prestados como ao que diz respeito às dimensões psicopedagógicas que auxiliam a reconhecer os processos de ensino aprendizagem. Sendo assim, o educador deve sempre estar se capacitando e profissionalizando.

Segundo Rossini (2008, p.44), a figura do professor é de extrema importância na formação de crianças e dos jovens:

A família de hoje conta muito com a escola, ou seja, com seus professores na formação das crianças e dos jovens. Ela precisa estar informada sobre a linha de conduta que a escola tem para com seus filhos e, o que é fundamental, concordar com esta linha: é preciso falar a mesma língua. (ROSSINI 2008, p. 44).

Sampaio (2011, p. 61) diz que é indispensável que o docente seja alguém capaz de não somente transmitir conhecimento, mas também de construir com o aluno este conhecimento, transmitindo emoções e valores, para que o aluno não permaneça enrijecido com os sentimentos gerados pelas dificuldades que enfrenta e seja capaz de descobrir que existem outras formas de passar por estes sentimentos.

A participação da família na escola contribui muito com a melhora do rendimento escolar dos alunos. Quando o aluno vai mal na escola o jogo do empurra-empurra começa, Gentile,(s.d.) enfatiza que:

Quando as notas são altas e tudo vai bem, ninguém pensa em discutir a relação. Se o boletim e o comportamento deixam a desejar, começa o jogo de empurra. Professores culpam a família “desestruturada”, que não impõe limites nem se interessa pela educação. Os pais, por sua vez, acusam a escola de negligente, quando não taxam o próprio filho de irresponsável. Nessa briga nada saudável, a única vitima é o aluno. (GENTILE,s.d.).

Sampaio (2011, p. 27) “afirma que não é apenas o bom desenvolvimento cognitivo que implica uma boa aprendizagem. Fatores de ordem afetiva e social também influem de forma positiva ou negativa nesta aprendizagem”.

Portanto, é importantíssimo o afeto da família e dos docentes para que a aprendizagem aconteça, principalmente no momento dos deveres de casa, que professores passam e necessitam da ajuda dos pais para auxiliar seus filhos nesses estudos fora da escola. Para López (2009, p. 147), tem de ser vista nos deveres de casa uma oportunidade de aplicação dos conhecimentos adquiridos na sala de aula, e também a possibilidade de adquirir aprendizados que, por diversos motivos, não foram bem sucedidas na escola.

 Para o autor, os familiares têm, no momento dos deveres de casa, uma chance de conversar com seus filhos e auxiliá-los, sem que isso implique liberá-los do empenho de aprender por conta própria.

Devem, também, após a saída da criança da escola, reservar o tempo entre deveres de casa, para brincar e também para convivência familiar e com amigos. E, para a realização desses deveres, é necessário que os pais encontrem um lugar em casa adequado. A autora López  (2009, p. 143) diz que a principal fonte da educação é a relação e o contato cotidiano entre pais e filhos:

Entre essas atividades extracurriculares devem figurar sempre, em primeiro plano, a relação, o contato cotidiano entre pais e filhos; essa é a principal fonte de educação, que nunca será substituída por nenhuma outra atividade, por mais moderna e sofisticada que seja. (LÓPEZ 2009, p. 156).

Gentile (s.d.) também descreve a atuação da família nos estudos em casa. Para a autora, “ninguém quer exigir que em casa sejam ensinados conteúdos de matemáticas e ciências. Mas cabe aos pais verificar se a lição foi feita e elogiar quando o menino ou a menina calcula certo o troco do sorveteiro”.

De acordo com Sampaio (2011, p.80), existem filhos que sentem o carinho dos pais e a aprendizagem acontece de forma prazerosa, mas existem também filhos que percebem que a única maneira de contar com este carinho e atenção é quando não aprendem.

Há pais que não conseguem dar carinho a seus filhos, seja por ter tido pais autoritários ou por chegar em casa cansados do trabalho ou por vários outros motivos, e isso se reflete no rendimento escolar de seus filhos.

Para Sampaio (2011, p. 86-87), não é de uma hora para outra que é criado o vinculo afetivo familiar, mas este deve ser cultivado desde a primeira infância, respondendo a seus intermináveis porquês, respondendo com calma às muitas contra-argumentações, quando se proíbe a criança de fazer algo e se mostrando interessado não só pelas notas do boletim escolar mas pelo dia a dia escolar do filho.

Os familiares devem, portanto, se colocar à disposição para auxiliar o filho nas tarefas escolares sempre que o mesmo necessitar e sempre estar abertos ao diálogo, pois, para o autor, “manter o diálogo aberto é imprescindível para uma boa relação familiar”. Com ele, os pais conhecem a maneira de pensar dos filhos, como aprendem ou quando têm dificuldade, o que gostam e o que não gostam.  Sendo assim, essa cooperação de família e escola, contribuindo uma com a outra e fazendo cada uma a sua parte, pode levar ao sucesso no rendimento escolar dos alunos.

 

3 MATERIAIS  E MÉTODOS

Na realização da pesquisa, foi utilizado o método de abordagem hipotético-dedutivo, em que se formulam hipóteses para, posteriormente, serem examinadas pelo processo de inferência dedutiva. E também o monográfico, também conhecido como estudo de caso.

Foram pesquisados 08 professores dos anos iniciais (1º ao 5º). Foi utilizado um questionário constituído de 15 perguntas sendo elas abertas e fechadas. Todos os questionários foram devolvidos e devidamente respondidos, estes foram lidos, tabulados através de regra de três simples e apresentados em gráficos.

A instituição educacional pesquisada foi a escola Nilo Procópio Peçanha, localizada no município de Alta Floresta MT, no ano de 2013.

 

 

 

 

 

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Esta pesquisa tem a finalidade de analisar a participação da família na vida escolar dos alunos da escola Nilo Procópio Peçanha e qual o rendimento dos alunos que não têm essa participação.

De acordo com as perguntas 1, 2, 3, 4 e 5, que dizem respeito ao sexo, idade, formação acadêmica, tempo de trabalho na escola e turma com a qual trabalha, constatou-se que 87% são do sexo feminino e 12,5 % do sexo masculino; 50 % dos pesquisados têm idade entre 31 a 40 anos e 50 % tem mais de 41 anos. 87,5 % possuem formação acadêmica em pedagogia e 12%, magistério. Os profissionais que trabalham na escola há menos de 5 anos correspondem a 50 % e os que trabalham há mais de 11 anos correspondem a 50 %; 37,5 % leciona no 1º ano; 12,5 %, no 2º ano; 37,5 %, no 3º e 4º ano e  12,5 %, no 5º ano.

As informações das perguntas a seguir foram organizadas em gráficos e estão listadas a seguir apresentando os resultados.

O gráfico 1 teve a função de analisar com os entrevistados se os profissionais estão se preocupando com a educação no Brasil e 87,5% responderam que sim e 12,5% responderam que não, conforme gráfico abaixo.

Gráfico 1: Na sua opinião, os profissionais da educação estão se preocupando com a educação no Brasil?

Fonte: MOREIRA, Andreia da Silva Questionário. Alta Floresta/ MT. 2013

 

Como mostrado no gráfico, a preocupação dos profissionais da educação é positiva. Atualmente são varias as iniciativas adotadas para melhorar o processo educacional, que vão desde a alfabetização até a formação acadêmica. Este resultado vai de encontro ao que afirma Cunha (2010, p. 4) segundo ele as políticas públicas têm procurado sanar os problemas educacionais , de modo que o acesso á escola tende a ser um beneficio ao alcance de todos, pelo menos no nível elementar, permanecendo a seletividade nos níveis superiores de escolaridade. Vendo que os profissionais da educação estão se preocupando com a educação, procurou-se saber como anda essa preocupação na escola e família. Nesse sentido, foi perguntado aos entrevistados se para eles a educação familiar é importante. Todos eles concordam que sim, sendo que 50% responderam que sim porque é a base da educação e 50% responderam que sim porque é nela que se formam os valores, conforme gráfico abaixo.

Gráfico 2: A educação familiar é importante?

Fonte: MOREIRA, Andreia da Silva Questionário. Alta Floresta/ MT. 2013

 

Os professores estão de acordo que a educação familiar é de suma importância, pois, sabe-se que desde o nascimento, ou seja, no meio familiar, a criança já começa as suas primeiras aprendizagens e ao crescer se formam valores e esta primeira educação acontece na família.  Estes dados podem ser confirmados de acordo com Sampaio, quando afirma que:

 É no âmbito familiar que o sujeito inicia suas primeiras aprendizagens. Aprende a sugar no seio da mãe, a rolar no berço, a levantar a cabecinha, o tronco, a sentar, a comer de colherinha, a engatinhar, a dizer as primeiras palavras, a andar, a cantar, a dançar. Todas estas conquistas são presenciadas primeiramente pela família que passa a dar-lhe estímulos, almejando que a  criança conquiste cada vez mais novas habilidades. (SAMPAIO, 2011, p. 69).

Sabendo dessa importância da educação familiar, perguntou-se aos docentes se a família está participando da escola, sendo que 100% responderam que muito pouco, conforme gráfico abaixo.

Gráfico 3: A família dos alunos esta participando da escola?

Fonte: MOREIRA, Andreia da Silva Questionário. Alta Floresta/ MT. 2013

 

Percebe-se que está havendo uma pouca participação na escola por parte dos pais, e isto é um ponto negativo na aprendizagem dos alunos pois os mesmos necessitam de um acompanhamento familiar nos estudos para se ter uma educação eficaz. Lopez defende que:

 A eficácia da educação escolar depende do grau de implicação, enfim, do grau de participação dos pais; do mesmo modo que a educação familiar não deve encontrar na escola uma concepção oposta a sua. (LOPEZ, 2009, p.82)

Dando continuidade aos resultados e discussão, perguntou-se aos professores se a participação da família na vida escolar dos alunos é importante e o porquê. 25% dos professores respondeu que sim para se ter uma boa aprendizagem; 25%, sim, para se ter um bom rendimento  escolar; 12,5% afirmam que sim porque os alunos se tornam mais prestativos e atenciosos no ambiente escolar;  12,5%  acreditam que sim para se ter uma educação de qualidade; 12,5% responderam que sim porque os alunos valorizam mais os estudos e 12,5% consideram que sim porque é a base da educação, conforme gráfico abaixo.

 

Gráfico 4: Para você, a participação da família na vida escolar dos alunos é importante? Por quê?

Fonte: MOREIRA, Andreia da Silva Questionário. Alta Floresta/ MT. 2013

 

Como foi possível verificar, um dos fatores que vem a contribuir com o rendimento escolar dos alunos, é a família presente na escola e nos estudos da criança. Gentile afirma que:

  A família é o primeiro grupo com o qual a pessoa convive e seus membros são exemplos para a vida. No que diz respeito à Educação, se essas pessoas demonstrarem curiosidade em relação ao que acontece em sala de aula e reforçarem a importância do que está sendo aprendido, estarão dando uma enorme contribuição para o sucesso da aprendizagem. Pode parecer simples, e é. Tanto que é exatamente o que tem sido pedido aos responsáveis pelos estudantes de todos os níveis de ensino. (GENTILE,s.d.).

O gráfico 5 teve a função de verificar com os docentes o processo de aprendizagem dos alunos sem o acompanhamento da família. 25% responderam que é ruim; 37,5%, muito lento e 37,5% responderam que é péssimo o aprendizado. Conforme gráfico abaixo.

 

Gráfico 5: Como tem sido o processo de aprendizagem dos alunos que não têm o acompanhamento da família?

Fonte: MOREIRA, Andreia da Silva Questionário. Alta Floresta/ MT. 2013

 

Constatou-se que a falta da ajuda familiar nos estudos da criança, só vem a prejudicar os estudos dos mesmos pois segundo os professores, o rendimento é lento, ruim e até péssimo, o professor sozinho na sala de aula com salas super lotadas não conseguem dar a devida atenção a todos os alunos, e com a família desses alunos  ausente,  não tem condições de se obter um rendimento escolar satisfatório. Sampaio (2011, p. 65) concorda que um dos fatores que muito prejudica o aluno é a grande quantidade de criança dentro de uma sala de aula pois segundo ela este fator impede que o professor dirija um olhar mais atento aos alunos, ou a alguns em particular, que precisam de maiores cuidados.

Verificou-se também se os alunos têm dificuldade para fazer os deveres de casa e quais as dificuldades. 12,5% responderam somente sim; 25% responderam que sim, a dificuldade é porque os pais são analfabetos e não ligam para os deveres dos filhos; 50% concordam que sim, falta auxílio da família; 12,5%, sim, depende da família para ajudar nos deveres e não tem esse auxílio e que a dificuldade é a leitura e escrita. Conforme gráfico abaixo.

 

Gráfico 6: Os alunos têm dificuldade para fazer os deveres de casa? Quais dificuldade?

Fonte: MOREIRA, Andreia da Silva Questionário. Alta Floresta/ MT. 2013

 

Mais uma vez a falta de auxilio familiar foi apontado como fator prejudicial nos estudos os professores acreditam que os alunos vão mal por que sua família não se interessam pela vida escolar dos filhos, López (2009, p.35) comenta que os alunos com dificuldades devem receber apoio complementar que os ajude a alcançar as metas escolares. E em tudo isso há um denominador comum: a informação constante aos pais, para que saibam o tempo todo do andamento dos estudos dos filhos; e se convém tomar medidas suplementares que se faça isso de comum acordo entre a escola e família.

Na sequência, foi perguntado aos professores o que leva o aluno a ter dificuldade na aprendizagem. 50% responderam que é falta de interesse do aluno e apoio familiar. 12,5%, ajuda família; 12,5% acreditam ser família e planejamento do professor; 12,5%, desinteresse do aluno pela escola; 12,5 %, vários fatores, sendo eles, problemas neurológicos, déficit de atenção, questão econômica e salas super lotadas. Conforme gráfico abaixo.

Gráfico 7: O que leva o aluno a ter dificuldade na aprendizagem?

 

Fonte: MOREIRA, Andreia da Silva Questionário. Alta Floresta/ MT. 2013

São vários os fatores que leva o aluno a ter dificuldade na aprendizagem, mas como visto o que prevalece entre eles é a ajuda familiar, Sampaio (2011, p.84) nos fala que mesmo os pais estando cansados do trabalho deve, chegando em casa dar a devida atenção aos filhos e oferecer ajuda nos deveres, afirma que deve haver dialogo e não apenas  cobranças. Já o autor Lopez comenta o desinteresse do aluno nas atividades escolares e afirma que pais e professores devem dar a sua contribuição

Há alguma razão para um aluno não se concentrar na escola, porque seguramente há outras atividades pelas quais demonstra interesse e nas quais põe sua atenção. Procurar esses campos de interesse e investigar o motivo do desinteresse na atividade escolar habitual será tarefa tanto dos profissionais da escola como dos pais.  (LOPEZ, 2009, p. 83).

Foi questionada, também, a forma como família e professores podem contribuir na aprendizagem dos educandos. 75% respondeu que é os dois trabalhando juntos, sendo a família ajudando nos estudos em casa e os professores com uma metodologia diversificada na escola; 25% responderam que os professores fazem o que podem mas os alunos não tem interesse em aprender. Conforme gráfico abaixo.

Gráfico 8: De que forma que a família e professores contribuem na aprendizagem dos educandos?

Fonte: MOREIRA, Andreia da Silva Questionário. Alta Floresta/ MT. 2013

 

Observou-se que é necessária a parceria escola e família. (Gentile s.d) comenta que: escola e família têm os mesmos objetivos: fazer a criança se desenvolver em todos os aspectos e ter sucesso na aprendizagem. As instituições que conseguiram transformar os pais ou responsáveis em parceiros diminuíram os índices de evasão e de violência e melhoraram o rendimento das turmas de forma significativa.

Outro importante aspecto perguntado aos entrevistados foi se eles percebem na família preocupação com a aprendizagem dos filhos. 100% responderam que poucos estão preocupados. Conforme gráfico abaixo.

 

Gráfico 9: Você percebe na família se ela está preocupada com a aprendizagem de seus filhos?

Fonte: MOREIRA, Andreia da Silva Questionário. Alta Floresta/ MT. 2013

 

Todos os professores concordam que poucos familiares estão preocupados com a aprendizagem dos seus filhos. Lopez (2009, p. 78) comenta que os pais devem ter um papel ativo na educação escolar pois os mesmos não podem abdicar de sua responsabilidade de educadores dos filhos. Sampaio também concorda que a família deve ter esta preocupação com a aprendizagem, para a autora:

é de fundamental importância que os pais busquem informações sobre a linha teórica adotada pela escola e verifiquem se está de acordo com toda sua proposta pedagógica, acreditando nela. Deve-se solicitar que a escola explique como serão adotadas as formas se avaliação, o dia a dia, como os pais devem proceder para ajudar os filhos nas tarefas escolares etc. (SAMPAIO 2011, p. 87-88)    

 No gráfico 10, foi perguntado se a escola se preocupa em trazer a família para a escola e de que forma. 37,5% responderam que sim, convidando para as reuniões; 25%, sim, proporcionando momentos de lazer, mas mesmo assim a participação dos pais é pouca; 37,5%, sim, convidando para palestras, reuniões de pais, eventos culturais, feira do conhecimento, festa junina. Conforme gráfico abaixo.

Gráfico 10: A escola se preocupa em trazer a família para a escola? De que forma?

Fonte: MOREIRA, Andreia da Silva Questionário. Alta Floresta/ MT. 2013

 

Percebeu-se que a escola faz a sua parte convidando os pais a virem á escola de varias formas, mas como já visto anteriormente, são poucos que participam. Lopez comenta que: os pais têm o direito e o dever de participar na escola porque são os responsáveis legais e naturais pela educação de seus filhos, mas também representam a sociedade receptora da ação escolar, se não concretizar tal participação da família na escola, não se pode alcançar uma educação coordenada e eficaz dos filhos. (LOPEZ 2009, p. 83-84)

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Esta pesquisa mostra a importância da participação da família na vida escolar dos filhos para que se possa obter um melhor ensino aprendizado.

Verificou-se que são vários os fatores que levam o aluno a ter dificuldade nos estudos, desinteresse pela escola, ajuda familiar, planejamento professor, problemas neurológicos, salas super lotadas.  Mas o fator que prevaleceu foi a falta de interesse da família nos estudos da criança.

Foi constatado que os alunos nos quais a família é presente na escola, são mais prestativos, atenciosos, e se interessam mais em estudar.

Verificou-se ainda que os alunos nos quais a família é ausente do ambiente escolar tem um rendimento inferior aos demais, pois os mesmos encontram dificuldade em fazer os deveres de casa e os pais por não auxiliarem os mesmos acaba prejudicando a criança nos estudos, muitas vezes, o filho não conseguem aprender só com o professor, precisa de auxilio em casa e não tem este auxilio.

Foi constatado que a instituição escolar  até desenvolve eventos para trazer os pais a escola mas são poucos os que participam.   

Percebeu-se no decorrer da pesquisa que a família é de fundamental importância na educação e assim sendo não pode se ausentar dessa responsabilidade de educar.

 Conclui-se com esta pesquisa, que a família participando e ajudando os seus filhos irão contribuir para uma boa aprendizagem , o rendimento escolar vai melhorar e assim poderemos ter uma educação de qualidade.

 

ABSTRACT

 

Keywords

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CUNHA, Marcos Vinicius. A escola contra a família. 4 ed. Belo Horizonte : Editora Autêntica, 2010.

GENTILE, Paola. Revista Escola. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/parceiros-aprendizagem>Acessado em 15 de novembro de 2012.

LÓPEZ, I Sarramona. Educação na família e na escola: o que é, como se faz. 2.ed. São Paulo: Editora Loyola, 2009.

ROSSINI, Maria Augusta Sanches. Pedagogia afetiva. 10.ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes,2008. 

SAMPAIO, Simaia. Dificuldades de Aprendizagem. 3. ed. A psicopedagogia na relação sujeito, família e escola. Rio de Janeiro: Editora Wak, 2011.

ZAGURY, Tânia. Limites sem trauma. Construindo cidadãos. 49.ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 2003.

 

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Acadêmica do curso de pedagogia da Faculdade de Alta Floresta

[2] Docente do curso de Pedagogia da Faculdade de Alta Floresta (FAF).

[3] Professor Especialista em Gestão da Educação Profissional e Tecnológica no Colégio Alternativo CAFTEC.