ECONOMIA CIRCULAR NO AGRONEGÓCIO: uma revisão bibliográfica (2020–2025)
Palavras-chave:
Economia Circular, Agronegócio, Tecnologias habilitadoras, Indicadores de desempenho, Revisão sistemática.Resumo
Este estudo realiza uma revisão sistemática da produção científica sobre Economia Circular (EC) no agronegócio, publicada entre 2020 e 2025. Seguindo o protocolo PRISMA, 1 126 registros foram inicialmente recuperados em cinco bases de dados; após triagem e critérios de elegibilidade, analisaram-se 92 artigos revisitados por pares e 11 relatórios técnicos. Os objetivos centrais foram (i) mapear as tecnologias habilitadoras de circularidade mais recorrentes e (ii) avaliar os indicadores e métricas de desempenho utilizados em estudos de caso agroalimentares. Verificou-se predominância de rotas biológicas: digestão anaeróbia (53 % dos trabalhos) mostrou redução média de 80 % nas emissões de metano e forneceu digestato substituto de fertilizantes; pirólise rápida (29 %) destacou-se pelo potencial de produção de bio-óleo e biochar com sequestro de carbono; soluções digitais — IoT, roteirização algorítmica e blockchain — apareceram em 18 % dos artigos, ampliando rastreabilidade e eficiência logística. Quanto às métricas, o Material Circularity Indicator (38 %) e a Análise de Fluxo de Matéria territorial (26 %) foram os mais aplicados, ao passo que indicadores socioeconômicos surgiram em apenas 9 % dos estudos, evidenciando lacuna crítica. Conclui-se que a consolidação da EC no agronegócio depende de políticas de incentivo, padronização de métricas multidimensionais e modelos de governança que promovam inclusão de pequenos produtores e distribuição justa de riscos e benefícios.
Referências
BOULDING, K. E. The economics of the coming spaceship Earth. Environmental Quality in a Growing Economy, p. 3 14, 1966.
CASTRO, J.; FREITAS, M.; PACHECO, F. Circular bio digestion in mixed farming systems. Bioresource Technology, v. 389, 2024.
CEPEA. PIB do agronegócio brasileiro: resultados de 2024. Piracicaba: ESALQ/USP, 2025.
ELLEN MACARTHUR FOUNDATION. Circular economy glossary. Cowes: EMF, 2021.
FAO. The State of Food and Agriculture 2024. Rome: FAO, 2024.
FROSCH, R. A.; GALLUPPI, G. Strategies for manufacturing. Scientific American, v. 261, p. 144 152, 1989.
GAZAL, A. A.; BONNET, S.; SILALERTRUKSA, T. Circular economy strategies for agri food production – a review. Circular Economy and Sustainability, v. 5, p. 2467 2493, 2025.
GEISSDOERFER, M.; PISCHKE, N.; SOUSA, R. Circular economy – a critical literature review. Journal of Cleaner Production, v. 276, 2020.
GONZÁLEZ SÁNCHEZ, A. et al. Bio circular economy in agri food chains: trends and challenges. Journal of Cleaner Production, v. 403, 2022.
INPEV. Relatório de sustentabilidade 2023. São Paulo: Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, 2023.
IPCC. Climate Change 2023: Synthesis Report. Genebra: IPCC, 2023.
ISO 14040. Environmental management – Life cycle assessment – Principles and framework. Geneva: ISO, 2006.
KIRSCHNER, A.; JORGE, F.; DIAS, L. Circular life cycle assessment: integrating R loops. Resources, Conservation & Recycling, v. 194, 2023.
KLEIJN, R.; LUBBEN, M.; VAN DER VOET, E. Metrics for circular agriculture. Resources, Conservation & Recycling, v. 198, 2024.
LI, X.; ZHENG, Y.; WANG, H. Blockchain enabled traceability for circular agri food supply chains. Computers and Electronics in Agriculture, v. 212, 2024.
MARTINS, T.; SOUZA, L. Zero waste marketplaces: business models for circular agtechs in Brazil. Revista de Administração e Inovação, v. 19, 2022.
MULYA, S. P. et al. Review of the circular economy implementation in the agriculture sector: a regional development approach. Circular Economy and Sustainability, v. 5, p. 1509 1533, 2024.
OLIVEIRA, P.; FERNANDES, E.; REIS, R. Anaerobic digestion of poultry litter: life cycle assessment for circular pig farming. Bioresource Technology Reports, v. 23, 2023.
PNRS. Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Brasília: MMA, 2024.
POTTING, J.; HAENSGEN, L.; BAKKER, C. The R imperative. Resources, Conservation & Recycling, v. 179, 2021.
REUTERS. Brazil's JBS supplies animal waste for production of sustainable aviation fuel. Reuters, 22 jul. 2024.
ROSA, V. S.; SILVA, D.; LIMA, F. Material circularity in citrus farming: a case study in São Paulo State. Sustainability, v. 16, n. 3, 2024.
SANTOS, G. et al. Industrial symbiosis in biomass clusters of southern Brazil. Sustainability, v. 16, n. 21, 2024.
STAHEL, W. R. The product life factor. An Inquiry into the Nature of Sustainable Societies, 1982.
TSCHOPP, F.; MODI, A.; SINGH, P. Insect bioconversion for circular agriculture. Journal of Insects as Food and Feed, v. 8, n. 5, 2022.
WALTER, J.; HEINRICH, S.; KRAUSS, H. Soy swine industrial symbiosis in Lower Saxony. Journal of Cleaner Production, v. 408, 2023.
ZHANG, M.; LI, Y.; WU, Q. Valorization of plant based agro industrial waste and by products for a circular economy: a review. Food Hydrocolloids for Health, v. 17, 2025.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
1. Proposta de Política para Periódicos de Acesso Livre
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
2. Políticas de Plágio
As suposições do plágio são:
a) apresentar trabalhos de outros como seu;
b) adotar palavras ou ideias de outros autores sem o devido reconhecimento;
c) não usar aspas em uma citação literal;
d) paráfrase de uma fonte sem mencioná-la;
e) paráfrase abusiva, mesmo que a fonte seja mencionada.
Os pressupostos gerais da fraude científica são os seguintes:
a) fabricação, falsificação ou omissão de dados e plágio;
b) publicação duplicada; e
c) conflitos de autoria.
Todos os trabalhos aceitos são submetidos a um software de detecção de plágio.
Os autores assumirão as consequências de qualquer natureza decorrentes do descumprimento das obrigações indicadas nessas regras editoriais.
Em casos em que o plágio é incorrido, a Coordenação Editorial seguirá os seguintes procedimentos: a evidência do plágio detectado será enviada ao(s) autor(es), solicitando uma explicação sobre o mesmo. Se a resposta não for satisfatória, o artigo não será publicado e, se aplicável, a mídia na qual o artigo plagiado original foi publicado será informada.